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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Hipersuficiência pecuniária


O Ministro do Desenvolvimento Fernando Pimentel pode ser processado pelo Ministério Público Federal se for acatado o pedido do PSDB, partido que faz oposição ao Governo Federal da Presidente Dilma Rousseff. O Ministro, acusado de usar o chamado “tráfico de influência” para extorquir dinheiro de empresas que têm interesses junto ao Poder Público, está tendo o seu caso comparado ao do ex-Ministro Antonio Palocci, também acusado de usar a sua influência política em proveito próprio.
Suspeita-se que, em ambos os casos, os personagens sofram de um mal conhecido por hipersuficiência pecuniária. Os sintomas são sempre os mesmos: dinheiro de mais e vergonha de menos...

Na sua defesa, Fernando Pimentel alega ter recebido dinheiro por conta de serviços de consultoria prestados por ele numa época em que não tinha vínculo formal com o serviço público. Sempre atenta aos noticiários, Dona Kristenfrieda não escondeu o sarcasmo:

- Ach gut! Muito bom essa serrviço do consultorria. Pessoas ganham muito dinherro com isso, ficam milhonárrios. Ganham muito mais dinherro que médicos e engenherros. Onde xente pode aprrender consultorria? 




sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Dona Kris e a reciclagem de lixo


Dona Kristenfrieda é uma zelosa e meticulosa cidadã. Um dos assuntos que lhe desperta o interesse, ultimamente, é a questão da reciclagem de lixo. Por isso, ela fica atenta a todas as fases do processo e observa com atenção à coleta do material. Na pracinha perto da casa em que está morando foi instalado um conjunto de várias lixeiras, cada uma delas destinada a um tipo de material: papel, plástico, vidro, metais, etc. O neto, dono da casa, está querendo fazer o mesmo (instalar lixeiras separadas). Ela não concorda e diz que não está entendendo uma coisa:
- Porr que a lixo stá tudo separrado bonitinha e a caminhón vem e homens xogam tudo lá dentrro misturando tudo de novo?
Para ler mais sobre Dona Kristenfrieda, clique aqui

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A angústia de Dona Kris


A aflição tornava-se esmagadora, quase insuportável. Uma convulsão interna, intensa, aguçada, aguilhoante, quase uma estocada. O almoço fora uma festança de comida típica alemã: eisbein – ou joelho de porco, em bom português – com chucrute – ou repolho azedo, se preferirem. Dona Kristenfrieda se fartara. Depois que o médico recomendou moderação com comidas gordurosas, não era sempre que se preparava o regalo teuto. Ainda por recomendação médica, a velha senhora se policiou na ingestão das carnes, mas não teve limites quando ao chucrutz – afinal, liberado pelo clínico. E por que aquelas pessoas tinham que vir logo depois do almoço?
Preparava-se, para dali a uma semana,  a festa do terceiro aniversário do pequeno Paulo Afonso, bisneto da Dona Kris. Paulo Henrique, o pai, preferiu fazer a comemoração em casa mesmo, a sala era bastante ampla, assim como as demais dependências da residência. E o pessoal da empresa de decoração veio para verificar o local. Tirar medidas, estudar a organização, essas coisas. E dê-lhe trocar ideias com os familiares, Dona Kristenfrieda inclusive: balões aqui e ali, figuras naquela parede, um brinquedo acolá... todos se viram envolvidos na azáfama.
Se pelo menos a deixassem sair... nas vezes em que tentou, foi rapidamente convocada de volta para mais um palpitezinho, uma opinião de “gente madura, experiente...” E o tormento aumentando, a angústia crescendo...
Afinal, estavam saindo... satisfeitos (ou não, quem saberá?) com o levantamento dos dados. Ainda bem. Saíram todos. Hora de liberar o retido pum, o refreado flato que angustiava a idosa senhora. Simultaneamente ao peculiar sibilo rouco, a vibração roufenha, seguiram-se os costumeiros, vários (muitos, no caso) e prolongados segundos de expulsão do gás contido a muito custo para evitar o vexame ante familiares e estranhos que tão inoportunamente ousaram invadir – mesmo que indiretamente – a privacidade da macróbia.
Quase que instantaneamente instalou-se no aposento aquele típico odor que distingue ocasiões e eventos semelhantes: um misto de enxofre e algo mais, assim como ovo podre ou coisa que o valha. Não exatamente balsâmico ou fragrante, antes acatingado e fedido, nem tanto para o próprio (ou a própria, no caso) autor, mas quase insuportável para os circunstantes – e quanto mais próximos, pior! – mas felizmente afastados a tempo. Assim aliviada, embora envolta na invisível bruma exalada em tão aflitivo momento, Dona Kris se deixou cair sentada no sofá.
Mas eis que voltam! Oh, mein Gott! O que será que esqueceram? Algum detalhe, talvez. Quiçá uma medida, uma olhada. Um palpite? Certamente! Eis que invadem de novo a sala, todos eles... mas com ela não! Não haverão de tirar-lhe mais nenhuma palavra, nem um aceno, nada, nada mais. Nem um suspiro!
Faces rubras, ardendo de vergonha, Dona Kristenfrieda se levanta e se precipita corredor afora, em direção aos seus domínios, ao quarto confortante onde afinal pode curtir descansadamente os efeitos do chucrutz domingueiro, sem perturbações ou atropelos de qualquer ordem.