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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Do Rui ao Joaquim, os baluartes da Nação



Um baiano nascido no século XIX e um mineiro contemporâneo. Dois juristas ilustres que se notabilizaram, cada qual ao seu tempo, no trato dos interesses da vida pública brasileira.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Ô Juquinha, o teu trem saiu da linha?


Foi preso nesta semana, em Goiânia, o cidadão José Francisco das Neves e mais dez pessoas, envolvidos num esquema de trambiques ferroviários. José Francisco, também conhecido pelo carinhoso apelido de Juquinha, foi presidente da Valec. A operação da Polícia Federal que prendeu os maracuteiros foi batizada por Trem Pagador. Mas, afinal, o que tem o Juquinha a ver com trens e trambiques?
A Valec – Engenharia, Construções e Ferrovias S. A. é uma empresa pública, cujo dono é a União Federal. Isto é, todos nós, cidadãos brasileiros, somos sócios dela. Sócios de tudo e donos de nada, como já dizia um velho amigo meu. É a mesma situação dos Correios e do Banco do Brasil, por exemplo. Entre outros objetivos, a Valec tem a incumbência de gerenciar a construção de ferrovias pelo país afora, em regime de concessão do Governo Federal. A obra mais importante é a construção da ferrovia Norte-Sul, entre as cidades de Panorama, no Estado de São Paulo, e Belém do Pará, com 3.100 km de extensão. Pois o Juquinha foi presidente da Valec no período de 2003 a 2010. Durante oito anos, portanto. Não é que nesse período o Juquinha ficou rico?
Pois então. Quando assumiu a presidência da dita cuja, o Juquinha era um rapaz pobre. Remediado, digamos. Tinha um patrimônio de pouco mais de 500 mil reais. Um carro, uma casa com TV e geladeira, uma foto do time do Flamengo, essas coisinhas. Hoje tem um patrimônio de mais de 65 milhões de pilas (o pila é a moeda oficial do Rio Grande do Sul, mas, cá entre nós, também serve de sinônimo para o real). Fizeram as contas? O patrimônio do Juquinha cresceu uns 13.000 por cento! Vá ser presidente bão lá em Brasília, sô! Cargo melhor que esse só o de presidente da CBF, né mesmo?
Não podia dar outra. A Polícia Federal, que nutre uma inexplicável implicância com os cidadãos que se dão bem na vida, enquadrou o Juquinha. Prendeu o dito cujo, a mulher dele e dois filhos. E mais sete outras pessoas, pois a PF acha que ninguém consegue ganhar 65 milhões em oito anos, só com o suor do rosto, trabalhando sozinho. E também apreendeu bens do Juquinha avaliados em 60 millones. Só por precaução, claro.
A estrada de ferro Norte Sul é um verdadeiro milagre de prodigalidade. Já na época do José Sarney na Presidência da República havia suspeitas de que alguma misteriosa mina de ouro se encontrava no caminho da ferrovia. O Juquinha parece ter descoberto a sua localização. E vejam bem: a estrada ainda não está nem funcionando. E há uma generalizada desconfiança de que a mina seque assim que a ferrovia fique pronta.
Na foto: Na Valec, políticos brasileiros analisam o “mapa da mina”. Pelas caras de satisfação, devem ter encontrado.


Aqui a mina está secando!
Bem, se a mina da Norte-Sul não seca há outras coisas que secam. A Nasa, aquela instituição norteamericana que explora o espaço cósmico (mas, curiosamente, não deixou ninguém rico até hoje – certamente por não ser brasileira) divulgou fotografias do planeta em que vivemos tiradas por satélite (só podia ser, né?) em 1978 e agora, em 2012. Sabem o que concluíram? As regiões desérticas da Terra estão aumentando e algumas outras regiões, outrora verdes, agora também apresentam indícios de desertificação.
A desertificação na Terra avança tanto quanto a corrupção na política brasileira. Os desertos hoje ocupam cerca de 22% das áreas sólidas da superfície terrestre. Há 34 anos, eram apenas 15%. A desertificação ocorre sempre nas áreas secas, de clima árido, semi-árido e sub-úmido. Vários lugares da África, inclusive Egito, o Oriente Médio, a China. a Índia e áreas das Américas do Norte e Central são as regiões mais afetadas pela desertificação. Mas o Brasil não está totalmente livre do perigo. O semi-árido nordestino é a região mais comprometida. Também há focos no sul do Pará, norte de Minas Gerais e oeste do Rio Grande do Sul.
O mau manejo do solo, o desmatamento, a ocupação indiscriminada pela população (geralmente de baixa renda) e a falta de chuvas (praticamente uma conseqüência) são as causas mais graves do fenômeno, permeado pelo aquecimento global, tanto um dos seus fatores de causa como também de efeito.
Há formas de combater a desertificação. O reflorestamento, práticas agrícolas com irrigação (água captada do subsolo) e hábitos preservacionistas e a melhoria do padrão de vida da população são algumas medidas importantes. É claro: os 65 mi do trembiqueiro Juquinha, somados a tantos outros mi de tantos outros mutreteiros cujo núcleo central se baseia na Capital da República ajudariam consideravelmente a diminuir as áreas desérticas dessa faustosa nação auriverde.


Não tem erro: errar é aprender
Você já cometeu algum erro hoje? Certamente sim, embora às vezes as pessoas nem mesmo se dêem conta de terem errado. E então? Você admite os seus erros? Costuma refletir sobre eles? E quais as conclusões que tira disso?
O fato de errar é a coisa mais trivial que existe. Todos nós erramos. Todas as nossas ações, desde as mais simples às mais complexas, estão sujeitas a erros. E isso pode ser positivo. As lições mais importantes da vida muitas vezes decorrem de erros cometidos.
Em muitos casos, a própria ciência se baseia em erros. Já ouviu falar na técnica da “tentativa e erro”? Pois é! É a fórmula empírica do experimento científico. Muitas descobertas aconteceram dessa forma. A invenção da lâmpada por Thomas Edison, por exemplo. Os chineses inventaram a bússola e os aborígenes australianos inventaram o bumerangue sem saberem explicar o que estava acontecendo. Mas foram fazendo experiências até que a coisa deu certo. Errando e aprendendo.
É exatamente isso. Consta que Edison, quando trabalhava no seu projeto da lâmpada incandescente, tinha um patrocinador que arcava com as despesas da pesquisa e também da remuneração do inventor. Decepcionado com os sucessivos insucessos de Edison, o patrocinador sugeriu que se dessem os trabalhos por encerrados. Ao ouvir essa decisão, o inventor retrucou: por que desistir agora, quando já sabemos muitas maneiras de como não fazer uma lâmpada? Já avançamos muito e hoje estamos mais próximos do que antes, de conhecer a forma certa de fazer as coisas.
O primeiro passo para tirar proveito do erro é admiti-lo. Persistir no erro é teimosia, é burrice, como já se disse um montão de vezes. Admitir o erro, refletir sobre ele para não repeti-lo e para fazer as coisas de outro modo, é o caminho mais sábio. Não admitir o erro é o pior erro que a pessoa pode cometer.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Na nossa história ferroviária...


Na nossa história ferroviária quem leva ferro é sempre o povo. Mas não é só na história ferroviária. Recentemente o blog publicou uma matéria mostrando uma obra inexecutada na Ilha de Itamaracá, em Pernambuco. Era a reforma do Forte Orange, um local turístico por excelência. Só que os problemas dessa natureza não são exclusividade do Nordeste brasileiro. Também aqui no Sul convive-se com coisas semelhantes. Em São Francisco do Sul foram erguidos dois monumentos à incapacidade administrativa pública. Na implantação do contorno ferroviário da cidade, obra que tiraria das principais vias do centro a linha férrea que tantos transtornos causa à circulação de veículos e pedestres; foram construídos dois viadutos e a coisa ficou por isso mesmo. A linha ferroviária, que deveria passar por cima de uma rodovia e por baixo de outra, simplesmente não saiu do papel. E os pontilhões lá estão, impávidos. E a placa, anunciando, com incrível precisão orçamentária, o valor da obra: R$ 19.052.256,16. É isso mesmo: quase vinte milhões de reais. Mortinhos ali, certamente esperando por um gordo aditivo.
Foto do autor

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Panoramas brasileiros


Na Ilha de Itamaracá, um dos points turísticos do litoral nordestino, meio em decadência por causa do crescimento do turismo em outras paragens próximas (como a praia de Carneiros e o Porto de Galinhas), o Forte Orange aguarda a reforma e revitalização prometidas e projetadas pelo Iphan (instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), conforme mostra a placa na foto superior. A revitalização do forte, que é remanescente da presença holandesa no litoral do Nordeste, construído na primeira metade do século XVII, é uma providência que certamente alavancaria o turismo em Itamaracá, mas jaz esquecida e abandonada, tal e qual as próprias instalações da fortaleza.
Os dizeres da placa do Iphan são claros: o custo da obra deveria ser de R$ 303.985,25 (é impressionante como conseguem chegar às minúcias do orçamento!!!) e o prazo para a sua execução expira em julho de 2012. Falta um pouco menos de dois meses, portanto. Motivo de sobra para o povo de Itamaracá se sentir feliz e realizado com mais essa obra que indiscutivelmente valorizará em muito o turismo local. Isso se não fosse um pequeno detalhe: as obras da reforma, com início previsto para fevereiro passado, até hoje não foram iniciadas. Não foi movida uma pedra sequer. Nem fincado um mísero prego (a não ser aqueles usados para a fixação da placa). Desse jeito, fica difícil esperar que até julho o serviço esteja concluído.
Narcisus, o nosso personagem Cisso da série Cisso e Pitolo, não acredita que a obra seja tocada sem o “competente” aditivo contratual, onipresente em todas as obras públicas em todos os rincões auriverdes. Não que o projeto esteja errado, longe disso! Errado está o orçamento, como certamente vão alegar os empreiteiros e vão concordar as autoridades encarregadas do acompanhamento e fiscalização da obra (engraçado que, por ocasião da licitação, ninguém tenha percebido isso!) Com essa providência (o aditivo), o custo da reforma evidentemente será (bem) maior. Cisso está aceitando apostas. Quem acha que p preço fica nos 303.985,25 reais pode se habilitar!
Fotos do próprio autor

terça-feira, 5 de junho de 2012

Parlamentar perde calcinha no plenário


Os parlamentares brasileiros já perderam de tudo no Congresso Nacional. Principalmente a ética. Agora teve um que perdeu uma calcinha. Isso mesmo, uma calcinha feminina. Aconteceu na quarta-feira da semana passada, em pleno plenário da Câmara dos Deputados. Um deputado chegou um tanto atrasado para uma votação e, ao se dirigir à Mesa, procurou tirar uns papéis do bolso do paletó e eis que dele emerge uma calcinha azul e vermelha, que cai ao chão. O parlamentar não percebeu.
De acordo com os relatos de testemunhas oculares da história, ou seja, de quem viu a ocorrência de perto, trata-se de uma espécie de calçola, tamanho regularmente avantajado. O fato poderia ser ainda mais pitoresco se um segurança não se apressasse em chutar discretamente a peça íntima para debaixo das cadeiras, de onde uma pressurosa zeladora logo a recolheu. Suspeita-se que os dois servidores venham a pedir demissão nos próximos dias para viverem dos fartos rendimentos que a sua nobre ação certamente proporcionará. O nome do parlamentar não foi divulgado e agora muitos colegas dele estão pedindo a instalação de uma CPI para identificar o dito cujo, sob pena da suspeita recair sobre algum parlamentar inocente. Também não se sabe se o deputado distraído levava a peça para uso próprio ou se era remanescente de alguma aventura extra-parlamentar.
Embora o nome do deputado seja mantido sob cerrado sigilo, vazaram alguns indícios: trata-se de um parlamentar da base aliada com mais de 50 anos de idade. E deve ser razoavelmente influente, caso contrário a sua identificação já teria vazado. Um dos suspeitos mais visados é o deputado Jair Bolsonaro (que nem é da "base aliada"), que já reagiu dentro das características típicas de sua conduta: mandou dizer que é machão de carteirinha e que vai dar um tiro em quem se atrever a acusá-lo num tète-a-tète eventual.
Acostumados a dar fim a toda e qualquer ameaça aos parlamentares, seja de que natureza for, os funcionários do Congresso Nacional trataram de incinerar a prova do crime. E c’est fini.
Imagem: Blog do Robson Pires (http://www.robsonpiresxerife.com)

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Retratos da política brasileira


Na cidade de Rio Largo, região metropolitana de Maceió (Alagoas), o prefeito e todos os dez vereadores estão envolvidos na venda fraudulenta de um terreno público com 2,5 milhões de metros quadrados localizado no município. Na noite de quinta-feira (17 de maio), agentes da Força Nacional da Polícia Militar invadiram a Câmara Municipal e prenderam os sete vereadores presentes. Os três restantes conseguiram se escafeder, o mesmo acontecendo com o prefeito Antônio Lins de Souza Filho.
Todos eles são acusados de fraude na venda do terreno mencionado acima, avaliado em 22 milhões de reais e vendido pela astronômica quantia de 700 mil (reais mesmo, na cidade não circula outra moeda que valha 31,5 vezes mais). A negociata criminosa foi proposta pelo prefeito e aprovada pela unanimidade dos vereadores. Há outros envolvidos, mas seus nomes ou cargos não foram divulgados em nome do sigilo das investigações. Rio Largo(foto), cidade com quase 70.000 habitantes, é a terra natal do político Arnon de Mello, avô do ex-presidente Fernando Collor.
Vêm aí as eleições municipais, em outubro. É importante que o povo brasileiro se precavenha e escolha bem os seus candidatos. Os bandidos estão procurando se infiltrar em todos os setores da sociedade e a política é um terreno fértil para as suas ações. Já que nossa legislação é tíbia, cabe ao povo separar o joio do trigo. É voz corrente que o cargo de vereador tem peso político ínfimo na ordem das coisas (principalmente em cidades pequenas) mas, pelo que se viu nesse município das Alagoas, não é preciso muita autoridade para assaltar os cofres públicos.