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terça-feira, 1 de maio de 2012

As mazelas da educação


Cisso e Pitolo, nossos personagens dos grandes temas nacionais, estão novamente na mesa do bar, na noite da segunda-feira.

Cisso: Estou vendo aqui no jornal que está em trâmite no Congresso Nacional um projeto de lei criando punições mais severas aos alunos que desrespeitarem professores em sala de aula.

Pitolo: Pois é, já ouvi falar. Será que agora a coisa melhora no ensino público, Cisso?

Cisso: Tenho minhas dúvidas, Pitolo. Veja só: chegamos ao ponto de precisarmos de uma lei federal para que os alunos se comportem numa sala de aula. Chega a ser um disparate!

Pitolo: Mas não se pode negar que os professores, hoje em dia, são as maiores vítimas da situação...

Cisso: Sem dúvida, sem dúvida... o problema evoluiu de tal forma que agora está quase incontrolável. Os professores estão sendo verdadeiros heróis por permanecerem em atividade, com os salários miseráveis que recebem e ainda precisando aguentar a indisciplina dos alunos, que ofendem, ameaçam, agridem e chegam até a atentar contra a vida dos mestres... a situação é lastimável. Mas vamos ver o que a lei vai trazer de novo...

Pitolo: Se repetir a ladainha do tal de ECA, a situação vai continuar na mesma...

Cisso: A raiz do problema não está só no ECA, Pitolo. Está principalmente na negligência das autoridades que deveriam cuidar disso.

Pitolo: Mas o ECA só fala em direitos das crianças e dos adolescentes, não fala em obrigações... quando eu era criança aprendi que, ao lado dos direitos, havia os deveres, que precisavam ser rigorosamente cumpridos... caso contrário havia algum tipo de punição...

Cisso: Esse princípio não foi revogado, Pitolo. Apenas as autoridades hoje não se preocupam em praticá-lo. Geralmente é mais fácil e mais barato deixar as coisas como estão...

Pitolo: Então você acha que o ECA está certo?

Cisso: Não é bem assim. Devemos partir do princípio que toda lei humana pode conter falhas e se ela pode ser melhorada, que seja melhorada. No caso do ECA, concordo que a ênfase nos direitos está um tanto exagerada, o que pode levar a um entendimento equivocado. Conheço bem o ECA e posso te adiantar que, no seu artigo 6º tem uma disposição que diz que, na interpretação dessa lei, devem ser levadas em conta os fins sociais a que ela se dirige, as exigências do bem comum, os direitos e deveres individuais e coletivos e a condição peculiar da criança e do adolescente. Por aí você vai entender que o ECA deve ser adaptado a cada situação particular e, no caso das escolas, os direitos dos alunos não podem prevalecer sobre os direitos dos professores e dos funcionários das escolas. Veja bem, na aplicação do ECA devem ser levados em conta os fins sociais e nesse contexto estão incluídas todas as regras em que se baseia um bom sistema educacional.

Pitolo: Na sua opinião, então, são as autoridades da área educacional que estão falhando?

Cisso: Falhando terrivelmente, Pitolo. Um dos erros mais grotescos é a famigerada “empurrologia”, que alguns chamam de “progressão continuada” ou coisa parecida. É aquele negócio de passar o aluno de ano letivo custe o que custar, mesmo que ele não esteja preparado...

Pitolo: Antigamente um aluno podia repetir de ano até por causa da disciplina...

Cisso: Exatamente. Era uma forma de punição aos maus alunos. A repetição era o terror dos estudantes... todos caprichavam para passar de ano e a ordem imperava.

Pitolo: Mas eu acho que o caso não é só por causa da tal “empurrologia”...

Cisso: Claro que não. Esse é um dos fatores, talvez o mais “pesado”. Mas o problema todo começa em casa. A carência na educação familiar é outro fator de peso. Mas aí já entram outros ingredientes, como o desajustamento das famílias...

Pitolo: Só espero que, quando vier uma reforma da educação por aqui, não façam como em Portugal.

Cisso: Como assim, Pitolo?

Pitolo: É que lá foi iniciada uma mudança no sistema de ensino...

Cisso: E mudaram o quê, Pitolo?

Pitolo: Bem, por enquanto mudaram os nomes. Os alunos passaram a ser chamados de aprendentes, os professores de ensinantes...

Cisso: E os diretores? Agora são chamados de gerentes, por acaso?

Pitolo: Bem, aí a coisa ia ficar parecida com certos ambientes de tolerância, não é mesmo?

Charge: Blog Os Dias do Pisco (Portugal - http://osdiasdopisco.wordpress.com)

 

terça-feira, 27 de março de 2012

Educação terá 1,8 bi por ano. Na roça.


Nesta segunda-feira (ontem), a presidente Dilma Roussef anunciou um upgrade no setor do ensino brasileiro, com a destinação de 1,8 bilhão de reais por ano, além da aquisição de 8 mil ônibus e 2 mil lanchas para o transporte escolar. Mas esse incentivo tem um destino específico: a educação na área rural. A realidade, porém, é outra: a educação auriverde clama por socorro em todas as áreas e, segundo se consegue apurar, a situação nas escolas urbanas não é melhor que nas da roça.

O anúncio foi feito no lançamento do Programa Nacional de Educação no Campo – Pronacampo – ocasião em que a presidente afirmou, com toneladas de razão, que a educação tem um papel estratégico na transformação do país e que precisa ser estendida a todos. Os recursos a serem destinados ao Pronacampo serão aplicados, basicamente, na infraestrutura das escolas e na capacitação de professores.

A providência é altamente positiva e vem num momento crucial (embora relativamente atrasado), em que o mundo inteiro volta seus olhos para o futuro e para o desenvolvimento tecnológico que está transformando o mundo. Mas é insuficiente. A educação brasileira, pelo menos pelo que se vê nas escolas públicas, está um caos. A baixíssima remuneração dos mestres é um dos motivos básicos, mas não é o único. Falta infraestrutura, o estado físico das escolas é péssimo, falta material de ensino ou é inadequado, e por aí vai. Mas o maior problema, segundo todas as evidências, é a famigerada política da “progressão continuada”, ou “progressão automática”. Trocando em miudos, o aluno não precisa mais estudar para passar de ano. Se ele não passa por méritos próprios, é “empurrado”. Sem precisar estudar para passar de ano, acaba a motivação e é aí que acaba todo o incentivo para a aplicação do educando.

A julgar a política educacional da presidente, talvez seja melhor mandarmos nossas crianças para a roça. Certamente vão aprender melhor que na cidade. Se a carteira escolar e o quadro negro não adiantarem, o cabo da enxada é uma excelente ferramenta de ensino.

Fotografia: MEC (http://www.brasil.gov.br

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terça-feira, 6 de março de 2012

Nossa educação, que vergonha!!!


Mais do que PIB e riquezas, devemos mesmo é nos preocupar com a educação pública que está sendo oferecida aos jovens brasileiros.
Chega-nos a notícia do desabamento de uma placa de gesso do teto de uma sala de aula da Escola Municipal Aroldo Azevedo, na Vila Barbosa, zona norte de São Paulo. Como a placa não atingiu diretamente nenhum aluno, portanto ninguém se feriu, a Diretoria de Ensino da Capital paulista não deve dar maior importância ao “incidente”.
Deveria. O episódio é mais um entre centenas, talvez milhares, de casos em que fica patente o descaso dos poderes públicos com o ensino em terras auriverdes. A situação se alastra Brasil afora. Aqui na região de São Francisco do Sul e Joinville, Santa Catarina, um dos estados mais desenvolvidos do Brasil, quase uma dezena de escolas estaduais foi interditada no começo do ano letivo por não oferecer condições mínimas de segurança física para os alunos. Algumas já foram liberadas após reparos e ajambrações de emergência, outras ainda estão fechadas. Será que não houve tempo suficiente nas férias escolares de fim/início de ano para uma vistoria geral nos prédios?
Mas o estado das edificações é só uma das faces do problema. Nas salas de aula talvez as coisas estejam ainda piores. Talvez não, com certeza as coisas estão piores. Vários fatores concorrem para isso. O salário dos professores é um deles, na medida em que acaba com a motivação dos mestres. A exagerada liberdade proporcionada aos alunos, acarretando a degeneração da disciplina (com a conseqüente degradação do ensino), a malfadada política da “progressão continuada” (que gera economia para os cofres dos governos) e outras cositas paralelas, estão a decretar a falência completa do ensino brasileiro. Isso tudo sem considerar fatos como a violência nas salas de aula, as ameaças e agressões a professores e por aí a coisa anda... Ou desanda, mais provavelmente...
Desse jeito, direcionados a um nível intelectual “padrão Tiririca” não podemos nem em sonho reclamar de um crescimento de 2,7%.