sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Ora, direis: lamber igrejas!!!


Que inglês é doido por apostas, isso todo mundo sabe. Que os ingleses são meio esquisitões para o nosso gosto, também. Aliás, dizem que gosto não se discute, e gosto é justamente o tema dessa abordagem. Bem, não se pode garantir que todos vão gostar, mas, afinal, gosto é gosto. Que o diga o jovem Lawrence Edmonds, 26 anos, de Londres. Ele fez uma daquelas apostas típicas de bêbados de botequim com seu amigo Adam, nos seguintes termos: Adam desafiou Lawrence a lamber todas as igrejas anglicanas existentes no Reino Unido no prazo de seis meses; caso esse desafio viesse a ser vencido, ele (Adam) desfilaria inteiramente nu pela nave central da Catedral gótica de York. Lawrence topou a parada. Depois de analisar o desafio, Lawrence e Adam refizeram o pacto, ficando combinado que o lambedor teria o prazo de um ano para cumpri-lo. Esse prazo se encerra em dezembro deste ano.
Até agora Lawrence já lambeu umas cem igrejas, o que representa uns 30% do total. Vale lembrar que o Reino Unido compreende não só a Inglaterra, mas também a Escócia e o País de Gales. Ele concorda que vai ser meio complicado cumprir a aposta dentro do prazo, mas continua tentando. Apesar do inusitado trato, que chega a ser meio grotesco de tão esquisito, Lawrence está levando o caso numa boa. Até abriu um blog na internet (http://cathedrallicking.wordpress.com) onde diariamente faz postagens contando sobre os seus “avanços” na carreira de lambedor de igrejas.
Como todo evento, bom ou mau, pode servir de lição, a situação de Lawrence parece destinada a dar um exemplo aos fregueses de boteco: cuidado com as fanfarronices, pode ser que alguém resolva lançar um desafio. Mesmo que não estejamos na Inglaterra, pode pintar uma aposta mais ou menos desse tipo. E no seu blog, embora contando tintim por tintim o que acontece no seu périplo, em nenhum momento o Lawrence confessa ter apreciado o gosto das igrejas anglicanas da sua terra.
Na foto, o linguarudo Lawrence no momento em que linguava a Catedral de Llandaff, em Cardiff, no País de Gales.
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Betelgeuse vai explodir. Cuidado!


Na esteira das fantasias sobre o apocalipse esperado para o fim deste ano, por conta do famoso calendário maia, não apareceu por aí uma teoria de que o nosso planeta seria iluminado por um segundo sol, que brilharia dia e noite, tornando a vida humana simplesmente insuportável devido às suas implicações cósmicas? Estou inclinado a acreditar que sim, que de fato uma teoria desse tipo tenha sido lançada em algum lugar, só não lembro aonde.
Primeiro, é preciso considerar que o fim do mundo, inicialmente marcado para o dia 21 de dezembro de 2012, corre o risco de ser adiado por problemas técnicos. O cronograma oficial deve ter sido confiado a algum técnico do Ministério da Ciência e Tecnologia do Brasil que, como de costume, errou os cálculos. A nova data ainda não foi marcada, mesmo porque continuam em discussão os termos do contrato aditivo a ser firmado entre as partes, evidentemente com uma substancial revisão das cláusulas financeiras.
Mas, voltando ao tal “segundo sol”. Um cientista inglês, Brad Carter, da University of Southern Queensland, está anunciando que uma estrela gigante, da constelação de Orion, chamada Betelgeuse (seu nome oficial é Alpha Orionis), está prestes a explodir, de tão velha que é. Segundo os astrônomos, uma estrela, quando atinge o fim da sua vida útil, tende a se expandir desordenadamente até explodir. É o caso da Betelgeuse, atualmente classificada como uma supernova (não se sabe exatamente o porquê, mas quando os astrônomos chamam uma estrela de supernova é porque na verdade ela está supervelha). Essa explosão pode acontecer a qualquer momento, dentro de mais ou menos mil anos, e o tal de Brad Carter diz que está prestes a ocorrer. Como Betelgeuse (que em árabe significa “o braço do meio” – sabe-se lá o que isso quer dizer!) está a “apenas” 450 anos-luz da Terra, a sua explosão será sentida aqui. O tamanho dela é meio considerável: se o nosso Sol fosse do tamanho de uma bola de futebol, Betelgeuse seria do tamanho do Maracanã (na imagem é possível visualizar a comparação). Assim, teríamos luz gratuita dia e noite. Boa notícia para os planejadores do sistema elétrico brasileiro, que estariam temporariamente dispensados da árdua tarefa de projetar um reforço na disponibilidade de energia, e também para os consumidores de eletricidade, que teriam suprimido a incidência da taxa da Cosip nas suas contas mensais, naturalmente por iniciativa do Procon. Mas a iluminação extra da Betelgeuse só vai durar uns três ou quatro meses. Depois ela se apagará definitivamente, seguindo o mesmo destino do Ronaldo Fenômeno.
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terça-feira, 21 de agosto de 2012

Viva o ipê de Porto Velho


Quem alerta as plantas quanto às mudanças de estação? A percepção desses seres vivos quanto às oportunidades corretas para melhor se adequarem aos humores da natureza às vezes dá uma escorregadela. Como agora, quando um inesperado “veranico” se intromete nas agruras de um inverno razoavelmente rigoroso na região sul do Brasil. Por falta de aviso, algumas árvores entenderam que já estaríamos no início da primavera e começaram a florir. Melhor para os homens que podem apreciar mais cedo a beleza da floração dos ipês de Curitiba, tornando a capital paranaense ainda mais bonita. Como, aliás, acontece em todas as primaveras, quando muitas ruas da cidade parecem tapetes tingidos de amarelo e azul-violeta.
O ipê é a árvore símbolo do Brasil. O ipê amarelo, de nome científico nem tão complicado: tabebuia alba. Com muita propriedade, pois suas flores amarelas, ao lado do verde das folhas, formam o conjunto de cores que mais apropriadamente simboliza a nossa pátria. O auriverde conjunto proporcionado pela majestosa árvore pode ser desfrutado de norte a sul, Brasil afora. Curitiba pode ser a capital em que mais se destaca a imponência dos ipês, não só os amarelos, mas também os roxos, em menor número, é verdade, e também os brancos, estes só encontráveis aqui e acolá, meio perdidos em algum quintal geralmente esquecido. Mas é em Porto Velho, capital de Rondônia, que um ipê amarelo se destaca e nos dá uma lição de vida, vejam só.
Foi por uma questão de necessidade (???) humana que um espécime da árvore-símbolo do Brasil virou um poste de luz. Sim, um poste da rede elétrica da cidade. Cortada a árvore para a sua utilização na sustentação dos fios da rede, ela foi lá cumprir a sua missão. Mas a árvore não se deu por vencida. Lutando bravamente contra a morte, o cepo, agora investido no papel de ipê-poste, agarrou-se à dura terra e deitou raízes. E voltou à vida tal como a Fênix rediviva, Fez crescerem galhos e folhas e agora, como uma saudação especial à vida, cobriu-se de flores. O ipê, sobrepujando a sua condição de símbolo, tornou-se uma lição, mostrando a todos os brasileiros que, por mais que nos submetam a interesses espúrios e alheios à nossa vontade, fazendo-nos padecer imobilizados diante de injustas opressões podemos reunir forças para reagir e mostrar ao mundo que somos capazes de desafiar até mesmo a morte. E viva o ipê de Porto Velho.
Imagem: http://site.noticiaproibida.org


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Publicidade agora até em papel higiênico

Até que pode ser uma boa jogada de mercadologia (ou de marketing, se preferirem no original): anúncios em rolos de papel higiênico. A “novidade” foi lançada nos EUA (como não podia deixar de ser!) por iniciativa de dois jovens irmãos, Bryan e Jordann Silverman, de Nova Iorque.
O “lançamento” do produto foi feito na biblioteca pública de Rye Brook, um subúrbio novaiorquino. De fato, tem tudo a ver: pela lógica, uma biblioteca geralmente é freqüentada por leitores (presume-se); leitores gostam de ler; se precisam ir ao banheiro, são proibidos de levar livros ou outro tipo de publicações; na falta de coisa melhor, acabam lendo o que estiver à mão, ou seja, no caso, o próprio ph.
A lógica vale também (talvez menos intensamente) para outros locais como centros comerciais (shopping centers, no original), restaurantes, etc. Muitas pessoas gostam de ler agluma coisa enquanto estão “no trono”. E apelam para qualquer coisa. Ponto para os anúncios no rolo. Agora só falta criarem algum estilo literário novo...
Realmente, a publicidade nos rolos não deixa de ser uma boa oportunidade para quem deseja tornar a sua marca mais conhecida. Desde que não se importe de ver o seu nome na m..., claro!
Imagem: http://g1.globo.com/planeta-bizarro


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Doutores analfabetos


A educação brasileira é o tema que Cisso e Pitolo discutiram nesta segunda-feira. Confiram.
Pitolo: Você viu que acabaram as greves nas Universidades, Cisso?
Cisso: Claro, Pitolo, eu tinha de saber, afinal trabalho numa delas. E vi o calendário de recuperação montado pelo MEC. Bem, dentro das condições em que estamos, é o que se poderia fazer. Mas é lastimável que continuemos dessa maneira. O ensino brasileiro merece um tratamento melhor. . .
Pitolo: É verdade, Cisso. Infelizmente o governo ainda não acordou para a importância do ensino. . .

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Cartão nem sempre é sinal de crédito


Você já teve o cartão de crédito recusado em algum estabelecimento? Se não, parabéns! Você realmente é um cidadão (ou cidadã) consciente de suas responsabilidades e muito cuidadoso(a) com as suas coisas. E, sobretudo, tem muita sorte. Porque às vezes pode acontecer, e já aconteceu com muita gente, inclusive com alguns que se consideram (ou que efetivamente são) gente importante. É o típico caso daquele chavão “isso acontece com as melhores famílias”.
E quando acontece, é aquele constrangimento medonho. É uma vergonha total, aquele caso de não se saber onde enfiar a cara. Por azar, quando acontece, acontece sempre com uma plateia presente. Presente e ululante. Torcendo pra que tudo dê errado mesmo, quanto mais errado melhor. Você olha para os lados e só vê aqueles sorrisinhos amarelos no rosto das pessoas e não sabe se é compreensão, compaixão ou gozação.
E o pior de tudo é que muitas vezes você não tem a menor culpa. Suas contas estão absolutamente em dia, a conta do cartão foi religiosamente paga, ele (o cartão) está totalmente sob controle e, enfim, não há nada de errado consigo. Mas a caixa (ou quem faça as vezes) é implacável: o seu cartão foi recusado, sinto muito! Já aconteceu comigo, mas não me abalei, pelo menos na primeira tentativa. O cartão Vixe foi recusado? Não faz mal, saquei outro: experimente passar o cartão Mastigard. A caixa: Desculpe, senhor, mas também não deu certo. Retruquei: experimente na opção débito. Lá veio: infelizmente o seu saldo não é suficiente, senhor! Tri-humilhado, não tive coragem de olhar para as pessoas da fila, simplesmente deixei as compras no carrinho, puxei minha mulher pelo braço (ainda mais essa, estava com a patroa, ela mais vermelha que um tomate em fase de pré-apodrecimento!) e sumi dali o mais rápido possível. Fui direto ao banco e entrei vociferando: o que aconteceu com os meus cartões? Com o saldo da minha conta? Exijo explicações! O bancário atendente pegou meu cartão (um deles) consultou o computador e informou: não está acontecendo nada de errado, senhor. O seu cartão está perfeitamente normal, todos eles, aliás. Seu saldo é positivo, de x reais (quantia umas dez vezes maior que a compra que fazia no maldito supermercado). Agradeci as informações e decidi voltar ao estabelecimento que me fizera passar a vergonheira. Minha mulher me dissuadiu: não vale a pena, a maquininha deles deve estar estragada, não vai adiantar nada, vão das uma desculpinha e fica tudo por isso mesmo. Conclui que ela tinha razão e deixei pra lá. Pra lá não, para aquele supermercado eu nunca mais voltei, mas o episódio me deixou com um certo trauma: todas as vezes que vou passar um cartão num estabelecimento eu fico nervoso, chego quase a suar frio.
Mas o ocorrido comigo não é nada. Tem coisa pior e, quando mencionei lá atrás que isso pode acontecer com as "melhores famílias", não estava exagerando. Veja o caso da toda-poderosa Air France. Num vôo entre Paris e Beirute, no Líbano, o avião precisou fazer um pouso de emergência em Damasco, porque em Beirute o aeroporto estava fechado. A opção seria Omã, mas o combustível não seria suficiente. A única saída foi, então, a capital síria, onde a aeronave precisava ser reabastecida. Mas aí veio o problema. O cartão da empresa foi recusado! Você deve estar pensando: mas as grandes empresas não têm crédito nos aeroportos? Não tem uma espécie de conta, não podem “por no prego” um abastecimento? Acho que até devem ter, mas no caso da Air France e da Síria, o problema é que a empresa aérea cancelou todos os seus vôos para aquele país por conta da guerra civil que está grassando por lá. E a recusa do cartão deve ter sido uma espécie de retaliação (para quem não sabe, os governos da Síria e da França não se bicam faz tempo).
O capitão da aeronave chegou a pedir aos passageiros que se preparassem para “fazer uma vaquinha” para colocar um mínimo de gasosa no tanque, o suficiente para chegar a Beirute. Todo mundo se coçou e já tinham preparado uma listinha, quando o capitão informou que a empresa “havia dado um jeito” e conseguira encher o tanque. Ninguém ficou sabendo o quantum necessário se não houvesse “acordo entre as partes”.
Muito bem. Agora, se você já teve um cartão recusado, pode ficar aliviado. Não é só com você. Acontece até com as melhores famílias.

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