
Maias a mais ou maias a menos,
deixemo-los. Todavia existem outras versões do apocalipse. Entre elas a
bíblica. Muita gente acredita na Bíblia. Só que, na versão bíblica, não há uma
data certa para a ocorrência do fenômeno. O que é uma vantagem, porque sempre é
possível dizer “eu não avisei?” Só que, nesse caso, o autor da previsão já
bateu as cachuletas faz tempo, muito tempo. Cientificamente já se concluiu que,
de fato, um dia qualquer o nosso mundo vai acabar. Pode ser daqui a um bilhão
de anos ou ainda mais, mas que um dia acaba, acaba. Isso é certo. Também é
certo que nós não estaremos aqui quando isso acontecer, a não ser que voltemos
reencarnados (ou ressuscitados, o que, afinal, também é um tema apocalíptico).
Mas aí já é outra história.
Quanto à história bíblica,
descobriu-se que o texto do fim do mundo foi escrito no fim do século I, bem
depois que Jesus Cristo havia retornado à paz celestial, por um certo João, que
não se sabe se é o mesmo evangelista – ou o mesmo autor que assumiu o nome dele
– mas, mais provavelmente, por algum cristão judeu revoltado com a situação
daqueles tempos (foi depois da destruição do Templo de Salomão, em Jerusalém). De
toda forma, parece que o Apocalipse foi escrito mesmo para impressionar. Na
época, era conveniente que fosse assim. Suas expressões fortes traduzem os
sentimentos anti-romanos e anti-pagãos dos primeiros cristãos. Por isso, foram
citadas as coisas que existiam e como eram naqueles tempos. Se o texto fosse
escrito nos dias atuais, na descrição dos fatos o exército de anjos não se
limitaria a tocar trombetas e liras, mas também saxofones, guitarras e
contrabaixos, como nas bandas gospel (e também nas de rock pauleira, que hoje é
tudo a mesma coisa). E os cavaleiros do apocalipse não seriam “cavaleiros”, mas
sim “motoqueiros”. E sendo o autor das cenas algum novelista da Globo ainda apareceria
naturalmente a marca das máquinas (além de algum figurante tomando Coca-Cola),
pois a oportunidade não podia ser perdida sem um merchandising editorial, simples que fosse.
Outro nome constantemente
associado ao fim do mundo é o do famoso adivinho Nostradamus (quadro ao lado), nascido
na França em plena Idade Média. Segundo ele, o mundo vai acabar depois das
ações dos três anticristos, dois dos quais já passaram por aí e foram
devidamente identificados (será mesmo?): Napoleão e Hitler. O terceiro foi
designado apenas como “aquele que virá”. Como muitos já vieram e outros tantos
ainda estão por vir, não se sabe de quem se trata. Provavelmente será o maluco (a
verdadeira “besta do apocalipse”) que apertará o botão errado na hora errada,
no caso do epílogo terráqueo vir a ser causado por um desastre nuclear (não
será, talvez, Kim Jong-un, o rechonchudo líder norte-coreano que assumiu o
comando do seu país ainda esta semana?)
Enfim, tranquilidade é a palavra
de ordem, pouco a temer. Pelo menos por enquanto. Os maias não resistiram nem
ao fim do calendário deles e os cristãos podem ficar descansados. O apocalipse,
além de não fixar data, caiu em descrédito. Pode vir a acontecer alguma
desgraça natural, como cair um cometa ou asteroide sobre as nossas cabeças, mas
certamente será mais fácil acertar na mega sena. A da virada vem aí, com prêmio
possivelmente recorde.
Crédito fotográfico: Portal
Minilua (http://minilua.com/imagens-apocalipse/)
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