A cidade
de Curionópolis (foto), no Pará, a 800 quilômetros de Belém, está em vias de mudar de nome.
Ela recebeu essa denominação em homenagem ao coronel Sebastião Curió Rodrigues de Moura, um militar de
reserva que, nos tempos da ditadura militar (anos 1980) comandou as tropas do
Exército na guerrilha do Araguaia e depois disso exerceu a função de
administrador do garimpo de Serra Pelada, que fica na área do município. Na época
da abertura do garimpo, a área era quase desabitada e de repente assistiu
a uma
explosão de gente interessada no ouro. A situação propiciou a criação do
município, que recebeu o nome sugerido pelo administrador em singelo e curioso (sem
trocadilho) louvor ao próprio nome.

Sebastião
Curió se valeu do cargo para cooptar a confiança dos garimpeiros e acabou se
elegendo prefeito da cidade por dois mandatos. Depois disso mudou-se para
Brasília, onde mora até hoje, mesmo porque não é tão imbecil ao ponto de ficar
enfiado num grotão até o fim da vida, podendo desfrutar de uma pacata e
aprazível vida de milico aposentado na capital da República.
Bem, na
verdade, a vida de Curió não tem sido tão pacata assim. No ano passado ele foi
preso por possuir ilegalmente quatro armas de fogo guardadas em casa, além de
um vasto arsenal de munição (talvez ele pense estar ainda na guerrilha do
Araguaia). Mas ele nem ficou preso de verdade: foi solto por decisão de um juiz
federal na manhã seguinte. Curió também está enrolado com uma acusação de assassinato
de militantes de esquerda no Araguaia e, numa entrevista concedida à Folha de
São Paulo em 2009 admitiu que 41 guerrilheiros foram sumariamente eliminados naquele
conflito.
Segundo
especulações, o nome de Curionópolis deve mudar. A aprovação da mudança deve passar por um
plebiscito a ser realizado no município e a maioria da população quer mesmo é tirar o curió.
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