São Paulo e Rio de Janeiro, as duas maiores cidades brasileiras, viveram (de novo) momentos de verdadeiro caos nesta semana. Em São Paulo foram falhas nos sistemas de trens e de metrô, situação agravada por um entrevero na Ceagesp, a central de distribuição de hortifrutis. No Rio, foi a greve de empregados das empresas do transporte coletivo que atuam nas linhas da região metropolitana.
Várias são as razões dos transtornos. Há falhas gritantes na
infraestrutura das cidades. Isso é elementar, sabido de todos. Mas a questão essencial
não é essa. Diante do inchaço da população, não há infraestrutura que aguente. É preciso repensar as cidades, não adianta
focar o problema na segurança pública, na coleta do lixo, no transporte
coletivo (metrô incluído), nos aeroportos, na coleta de esgotos, no esgotamento
das águas pluviais, na educação, na saúde ou em qualquer outro item dos
serviços urbanos. Claro que todos eles têm problemas. Mas é o conjunto que
precisa ser olhado. Precisa ser atacado o problema principal, o essencial: a
aglomeração urbana, o excesso de gente.
Como fazer isso? É claro que não se trata de eliminar pessoas, de expulsar gente. Mas é preciso atuar com medidas formais e legais orientando a redução da população. Por exemplo, desestimulando a instalação de novas indústrias e grandes empresas, incentivando a mudança das sedes de grandes (e até médias) organizações para cidades menores, incentivando pessoas fora da atividade laboral ou econômica (aposentados e pensionistas, por exemplo) a se mudarem para locais mais aprazíveis (onde também poderão desfrutar de uma vida mais saudável), além de outras medidas do gênero.
Por exemplo: o fato do maior centro sulamericano de
distribuição de hortifrutigranjeiros – a Ceagesp – estar localizado em São
Paulo chega a ser um verdadeiro absurdo. Já imaginaram o transtorno causado
para a cidade o movimento de caminhões e outros veículos indo e voltando de
inúmeras cidades do interior e mesmo de outros estados? Por que não deslocar
esse centro para uma cidade próxima (que não seja na região metropolitana)?
Outro exemplo: por que todas as empresas aéreas que operam no Brasil fazem do aeroporto de Congonhas as suas bases operacionais? Parece que já tivemos transtornos suficientes para demonstrar que o transporte aéreo brasileiro é problemático. Por que não mudar esses centros operacionais para o aeroporto de Viracopos, em Campinas, por exemplo?
Em tempo: o que foi dito acima vale extensivamente para as regiões metropolitanas.
Enfim, foi lançado o repto. Em discussão.
Imagens: Culturamix (http://www.culturamix.com) e Revista Veja (http://veja.abril.com.br)
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