sexta-feira, 20 de abril de 2012

As caçadas do rei

Diz a sabedoria popular que um dia é da caça e outro dia é do caçador. Se não fosse um tombo no interior da cabana em que estava hospedado, a caçada aos elefantes em Botswana teria passado despercebida. O azar do rei foi a malfadada e violenta bundada que lhe provocou a fratura no fêmur e a conseqüente cirurgia de implante de prótese no quadril. O acidente serviu para espalhar mundo afora a notícia de que Juan Carlos, Primeiro e Único, Rei da Espanha desde o fim da ditadura franquista, comprazia-se em caçar elefantes no país africano, menosprezando solenemente não só a crítica situação econômica do seu país como também os princípios ecológicos e ambientais da organização da qual é presidente de honra, a WWF (World Wide Fund for Nature – Fundo Mundial para a Natureza), uma organização internacional voltada à preservação dos recursos naturais.
Ao deixar o hospital onde se submeteu à cirurgia, Juan Carlos declarou-se arrependido e prometendo não mais repetir a cag, digo, a caçada. Mas é bom saber que o rei é reincidente na prática de abater paquidermes em território africano. A foto que ilustra a matéria é de 2006, quando o monarca pôs fim à vida de um proboscídeo, abatido à sombra de um baobá, também em Botswana, país onde a caça a esses animais é permitida. Permitida mas cobrada, à razão de 30.000 euros (cerca de 70.000 reais) por animal morto. Consta que, desta vez, pelo menos, Juan Carlos livrou a coroa espanhola dessa despesa. Dizem as más línguas que matar um elefante não é difícil. Difícil e enterrar o corpo. Deve ser por essa razão que a taxa é alta. Mas mesmo assim compensa: ainda pior que enterrar o corpo é levar um elefante morto para a Espanha.
Quanto à WWF, embora ameace expulsar o seu presidente de honra, provavelmente não o fará. A internacionalização da ONG mostrou-lhe que o caminho das pizzarias, especialmente em terras auriverdes, é mais suave.
Imagem: Blog Ricardo Setti (http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/)

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